Ausência
A alta colina
fez parte da minha infância,
assim como o
muro gasto pela chuva e pelo tempo.
Os frondosos
plátanos da colina também fizeram parte
das muitas
tardes da infância,
assim como o
vermelho do barro do chão batido
e os antigos
retratos dos que ali repousam em paz.
Éramos duas
crianças correndo soltas
por entre as
lápides do cemitério.
Éramos duas
crianças livres correndo ingênuas
por entre as
lápides do cemitério.
Éramos três
espíritos brincando felizes e em harmonia,
pois a pureza das
crianças
faz com que se
tornem próximas
das almas que
ali estão.
Estávamos
próximas de ti.
Éramos duas
crianças fortemente ligadas
à jovem e bela
mulher que te visitava
todas as tardes
e deixava as lágrimas rolarem sobre o teu túmulo.
Éramos duas
crianças e tua alma.
Ligadas à quem
mais parecia apenas uma moça,
a jovem mulher a
quem chamávamos de mãe,
que chorava e
rezava sobre o teu túmulo.
Sofrida e
abalada por tua causa.
Por tua breve
presença neste mundo
e longa ausência
em nossos corações.
Éramos todos
quatro crianças
que não
entendiam o que acontecia
e qual a
explicação lógica para a tua morte.
Certamente
nestes momentos
partilhamos
contigo nossa infância
e te sentimos
presente em nós.
E serás eterno,
como os anjos.
E ainda hoje,
quando passo por aqui
e vejo as
enormes copadas dos plátanos,
te imagino
iluminado.
Esvoaçando teus
lindos cabelos crespos ao vento.
E vejo também a
cor dos teus olhos
misturada com as
folhas verdes das árvores.
E sinto o cheiro
desses momentos
emanado das
flores secas que ali estão depositadas.
Serás sempre
parte de nós.
E sabemos que o
que nos consola
é a certeza de
que um dia te reencontraremos
e seremos
novamente quatro crianças.
Porém, todas muito felizes.
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