Nesse
espaço pretendo postar alguns textos que não tem a intenção de serem
premiados ou qualquer coisa do tipo. Mas que fazem parte de meu ócio:
Muitos acreditam que a eterna insatisfação humana é mãe do progresso. Afirma-se, até mesmo, que é parte intrínseca do ser humano e que também é uma virtude. Eu não penso assim. Há muito tempo que sofro desse mal e que me angustio por sua culpa. Nos dias nublados, como hoje, esse sentimento se intensifica, transformando-se numa estranha e inexplicável angústia que inicia na boca do estômago e vai até o peito, onde fica o coração. Já pensei, não em raras ocasiões, em fazer análise novamente, ou, ainda, mudar meu curso para Psicologia. Vontades movidas pelo medo de jamais compreender a mim mesmo. Em dias de chuva meu ser se resume numa grande instrospecção e começam os questionamentos e, muitas vezes, inquéritos policias, sobre a minha vida, sobre o meu futuro, sobre a minha alma. Desses dias, em minha infância, sobram lembranças de espelhos cobertos por lençóis, tesouras escondidas e do cheiro de palma benta queimada. Momentos cheios de mistérios, pois não haviam explicações para menores sobre os estranhos rituais. Talvez, por isso, os dias chuvosos e nublados me afetem tanto. Um questionamento não respondido na infância. Talvez Freud tivesse uma explicação para esse estranho fenômeno, se ainda estivesse vivo. Como não conto com a ajuda especializada do doutor, certamente terei que me conformar em dividir minha vida com esse enigma. Me consola um pouco a ideia de que ele ocorra apenas em dias nublados. Apesar de que, ultimamente, no sul tem feito tanto tempo muito ruim...








