Borboletas amarelas
Um par de borboletas
Entrou pela janela
Voando em círculos.
Espiral
De mudanças.
Vôo certeiro
Na direção
Do amor.
A borboleta negra
Mostrou seus olhos
Fortes,
Oblíquos.
Vermelhos e
assustados
buscavam auxílio.
Na sala
iluminada
desconhecida.
Cada vez que sai o sol, espero pelo verão:
Final de inverno
Só o sol
depois das chuvas do inverno
pode nos dar
a verdadeira sensação de liberdade.
O sol que bata
nos meus braços brancos
das longas mangas de lã
é o primeiro sintoma
de que poderão
mover um corpo livremente.
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Hoje pensei muito em minha avó, tia avó, na casa velha e lembrei desse poema que escrevi há um tempo para Lory, que já não estava bem, minha tia avó querida, atualmente no asilo:
Camélias III
A casa está irreconhecível
Cada vez mais velha
Por causa das rachaduras
Parece que vai desmoronar
A qualquer momento
Chamo
Meus gritos
Ficam sozinhos no silêncio
Bato na porta
Não existe mais vida
Na velha casa
Espio pela janela
De um dos quartos
E a imagem do sonho aparece
Ela está lá
Como no sonho
Jazia morta
As lágrimas são incontroláveis
E rolam pelo meu rosto
Chamo seu nome
E vejo que é apenas
o triste quadro da velhice
Que lhe tira a vida
Aos poucos
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Poesia e o frio. O sul inspira também o lado poético.
Frio I
A solidão
faz com que o frio
seja intenso.
É um frio maior
que a temperatura
lá fora.
É um frio
que vem de dentro
de mim.
Frio II
O frio que sinto
não é físico.
Vem das
entranhas
da alma.



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